Oswaldo de Camargo

Resultado de imagem para Oswaldo de Camargo
Fonte: https://www.geledes.org.br/tag/oswaldo-de-camargo/

“Nasci em Bragança Paulista, SP, em 1936. Dos 12 aos 17 anos estudei no Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, de onde sai em 1954. Sou herdeiro de buscas culturais de negros do País que, no início do século XX, começaram a reavaliação da situação do elemento afro-brasileiro e partiram para uma tentativa de inseri-lo social e culturalmente, tendo como armas sobretudo agremiações de cultura, jornais alternativos para a coletividade, teatro negro, a literatura, sobretudo a escrita por poetas de temática afro-brasileira, como Lino Guedes e Solano Trindade. Estreei minha carreira de poeta em 1959, época onde era diretor de cultura da Assosiação Cultural do Negro e revisor do Jornal Estado de S.Paulo, empresa onde iniciei minha carreira no jornalismo. Na prosa estreei em 1972 e em 1978 com novela. Tive, editado em 1987, pela Secretaria de Estado da Cultura O NEGRO ESCRITO – Apontamentos sobre a presençado negro na literatura brasileira. Tenho poemas traduzidos para o alemão, francês e espanhol. Em 1998, recebi, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, a “Medalha Cruz e Souza”. Hoje sou coordenador de literatura do Museu Afro Brasil, em São Paulo.”

Biografia retirada do blog de Oswaldo de Camargo. Para saber mais sobre o escritor e poeta, acesse: 

http://oswaldodecamargo.blogspot.com/2008/11/obras.html!

 

GRITO DE ANGÚSTIA

Dê-me a mão.

Meu coração pode mover o mundo com uma pulsação.

Eu tenho dentro em mim anseio e glória que roubaram a meus pais.

Meu coração pode mover o mundo, porque é o mesmo coração dos congos, bantos e outros desgraçados, é o mesmo.

É o mesmo coração dos que são cinzas e dormem debaixo da Capela dos Enforcados.

É o coração da mucama e do moleque.

Eu conheço um grito de angústia trovejante, que deve estarrecer todas as minhas amantes que eu tenho decerto.

Eu conheço um grito de angústia. Eu posso escrever este grito de angústia e eu posso berrar este grito de angústia.

Quer ouvir?

“Sou um negro, senhor. Sou um negro.”

Poema criado por Abdias aos 19 anos. (15 poemas negros)

EM MAIO

Oswaldo de Camargo

Já não há mais razão para chamar as lembranças

e mostrá-las ao povo

em maio.

Em maio sopram ventos desatados

por mãos de mando, turvam o sentido

do que sonhamos.

Em maio uma tal senhora Liberdade se alvoroça

e desce às praças das bocas entreabertas

e começa:

Outrora, nas senzalas, os senhores…”

Mas a Liberdade que desce às praças

nos meados de maio,

pedindo rumores,

é uma senhora esquálida, seca, desvalida

e nada sabe de nossa vida.

A Liberdade que sei é uma menina sem jeito,

vem montada no ombro dos moleques

ou se esconde

no peito em fogo dos que jamais irão

à praça.

Na praça a Esperança se encolhe

ante o grito: “Ó bendita Liberdade!”

E esta sorri e se orgulha, de verdade,

do muito que tem feito…

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s